Para Kiko Vianello, curadoria, legitimidade, impacto e flexibilidade são pontos-chave nessa escolha
Por Jéssika Elizandra
Escolher um projeto educacional para apoiar vai muito além de receber propostas e identificar uma causa. Para Kiko Vianello, da Fazedoria Cultural, a decisão envolve curadoria, confiança e uma análise cuidadosa da legitimidade e da capacidade de execução de quem está à frente do projeto.
Há mais de 17 anos no setor, Kiko conecta iniciativas culturais e sociais a empresas que querem apoiá-las por meio de leis de incentivo. Em entrevista ao blog da Evoluir, ele explica o que as empresas observam nessa escolha.
O que uma empresa deve observar antes de escolher um projeto educacional para apoiar?
A primeira coisa é a legitimidade. O projeto tem propósito? É realizado por pessoas que realmente acreditam naquela causa? A empresa precisa ter segurança de que está apoiando uma iniciativa legítima, porque, ao colocar sua marca ali, também valida aquele projeto. Depois, é preciso olhar para a capacidade de execução e a sustentabilidade financeira.
E como o impacto entra nessa avaliação?
É fundamental entender como o projeto muda a vida das pessoas e como isso pode ser mensurado. Qual é o impacto direto e indireto? As empresas acompanham cada vez mais monitoramentos, relatórios e prestação de contas.
A relação entre empresa e projeto precisa de flexibilidade?
Sim. Um mesmo projeto pode dialogar com empresas de setores diferentes a partir de suas várias frentes. Uma organização do mercado financeiro pode ter mais interesse em empreendedorismo ou geração de renda; uma indústria pode estar mais focada em capacitação. É possível desenvolver uma dessas verticais de maneira mais direcionada, desde que o projeto não seja desconfigurado.
Então, customizar não significa mudar a essência do projeto?
Exatamente. Existe uma linha vermelha: você não pode distorcer ou desconfigurar o projeto, mas é possível destacar aquilo que faz mais sentido para cada parceiro sem perder sua identidade. Essa flexibilidade ajuda a construir relações que façam sentido para os dois lados.
O que mudou na relação das empresas com os projetos sociais?
O setor amadureceu. Hoje, a escolha é muito mais criteriosa e algumas empresas têm processos internos rigorosos, inclusive com análises reputacionais das pessoas envolvidas. O patrocínio também passou a ser compreendido como algo que agrega valor ao posicionamento e aos valores da marca.
Por que a educação desperta interesse em empresas de setores tão diferentes?
Quando você fala de educação, está falando de cidadania. A educação é um catalisador, um vetor de mudança de vida nos territórios. Para as empresas, investir nessa área também é uma forma de contribuir para que as pessoas tenham mais autonomia.
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